segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

SEXO EXPLÍCITO


SEXO EXPLÍCITO


A constatação do óbvio - a rapaziada mineira está farta da naftalina, do roça´n´roll de um certo clube ali da esquina. Mas não estamos aqui para incensar os mortos. O que realmente interessa é pontuar 1983 como ano 1 da renascença do rock nacional não só para o eixo Rio-SP. Também Minas efervesceu com um punhado de grupos das mais diversas tendências. E o mais celebrado deles é, com toda justiça, o Sexo Explícito.
Aconteceu quando alguns egressos do grupo Cemflores - um misto de antropofagia revisitada, poesia mimeógrafo e performance resolveram enveredar por uma nova trilha. Sem alarde, Marcelo Dolabella (textos), Rubinho (vocal e casiotone) e Roberto Nosso (guitarra) estrearam em Belo Horizonte, deixando a platéia diminuta totalmente perplexa. Desferiam o primeiro golpe na ingênua mineiridade.
Dificuldades imediatas, como técnica incipiente, aparelhagem insuficiente e palcos improvisados, são postas para escanteio. Garra é o que não falta a eles, e logo seduzem outras cabeças: John, guitarrista de poucas palavras, dono de um fraseado letal e particularíssimo; Mario e seu baixo de matizes negras; Rogério a martelar sem piedade tambores e pratos. Um quarteto vocal impecável permaneceria algum tempo, com Gato Jair e ás sensuais Patrícia I e II e Silma.
Nos shows, a meninada estraçalha os tímpanos incautos com funks, marchinhas, hinos tropicalistas e R&B iêiêiêzados. Puro deboche. Insolência sem limites. O humor se radicaliza em letras avassaladoramente corrosivas; nada a ver com o humor prêt-a-porter dos grupelhos que infestam as FMs da vida.
As atenções voltam-se para Rubinho Troll, impetuoso, dono da língua mais ferina das Gerais. Alguém poderá achar engraçado o John quase estático lá em cima, aparentemente alheio ao espetáculo. Mas o riso ficará atravessado na garganta quando sua guitarra rasgar o espaço, com um riff meteórico. Rogério maneja sua betoneira com eficiência inumana enquanto Mário segura o que vier. Cai o pano.

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