segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

DETRITO FEDERAL


Surgido em 1984, o Detrito Federal fazia, no início da carreira, o chamado punk clássico, na linha dos Sex Pistols, com guitarras cruas e bateria em quatro por quatro. A primeira formação da banda incluía Alexandre “Podrão” Veiga (vocal) ex-Anti-Tédio e ex-Subdivisão; João Bosco (guitarra) ex-Apocalixo; Mila Menezes (baixo) depois Volkana; e Paulo César Cascão (bateria) ex-Ratos de Brasília e ex-Arroto Provisório. Nesta fase inicial, as características principais do grupo eram a voz vomitada de Podrão aliado e as guitarras sujas.
O grupo participou do primeiro disco independente feito em Brasília na década de 80: a coletânea Rumores, lançada pelo Sebo do Disco, ao lado dos grupos Escola de Escândalos, Finis Africae e Elite Sofisticada. Dois punk-rocks estão registrados no disco: Desempregado e Fim de Semana. O disco, lançado em 1985, foi bem recebido por parte do público.
Ainda em 1985, Mila deixa a banda junto com Bosco, sendo substituídos por Will Pontes e Paulinho. O grupo consegue maior projeção nacional quando a Rede Globo os convida a participar do extinto programa Mixto Quente, em janeiro de 1986, transmitido nos finais de semana para todo o país direto das praias cariocas.
No início de 1986, um racha na banda leva Podrão a se desligar do grupo, passando a se dedicar ao seu novo grupo BsB-H, deixando a liderança para Cascão. O ex-vocalista acusa os antigos companheiros de se venderem para o sistema e trair a ideologia punk. Decidido a refazer o grupo, o baterista decide assumir os vocais e convoca Luciano Dobal para pegar nas baquetas. Paulinho também deixa a banda, assumindo o baixo Milton Medeiros.
Nessa época, o Detrito abre mão das posturas mais radicais e deixa de lado a atitude e o visual punks. Em declarações à imprensa da época, Cascão declara que o grupo está se abrindo para "um número maior de pessoas". Os quatro afirmam que têm gosto eclético, citando samba, reggae, bossa nova, rock e funk entre as novas influências. Os artistas preferidos são Sex Pistols, Bauhaus, Noel Rosa, Moreira da Silva e Paulinho da Viola. "Só não gostamos de um tipo de música: a ruim", afirma Cascão.
As letras, contudo, continuam tocando na questão social, falando de injustiça, política e repressão. Cascão declara que a banda estava ajudando a resgatar a verdadeira rebeldia no rock nacional, que até então se resumia "a subir a Rua Augusta a 120 por hora e fumar onde era proibido fumar". "O rock de Brasília é o mais politizado e o mais vinculado à realidade do país", declara em entrevista à Folha de S.Paulo.
No início de 1987, a banda muda mais uma vez de formação, com Cascão e Milton Medeiros continuando na ativa. Entram Si Young e Débora Darwich e Mauro Manzolli. Logo depois, a banda fecha contrato com a Polygram e grava o disco Vítimas do Milagre, produzido por Charles Gavin, baterista dos Titãs. O disco conta com a participação de convidados ilustres: a Plebe Rude faz côro na faixa Tá com nada – música de André X e antiga canção do repertório plebeu –, Marielle Loyola (ex-Escola de Escândalos e então no Arte no Escuro) e Jander Bilaphra (Plebe Rude) cantam em Vítimas do Milagre e o próprio Gavin toca bateria em algumas outras faixas.
O disco é bem recebido pelo público, embora seja visto como "irregular" pela crítica especializada. A faixa que puxa o disco é Se o tempo voltasse, mas a melhor é realmente Adolescência, letra do poeta curitibano Paulo Leminski, musicada por Cascão. O disco tinha também uma capa inusitada, que brincava com um dos símbolos do poder republicano: um garoto sentado sobre a cúpula da Câmara dos Deputados, lendo um jornal, como se estivesse em uma privada. A banda chegaria ao auge de sua carreira nessa época.
Pouco tempo depois, o grupo seria desativado por Cascão, que o retomaria em meados de 1996 para a apresentação em shows por Brasília. O Detrito participaria em 1997 do disco Cult 22, coletânea lançada pelo selo independente brasiliense RVC para o aniversário do programa homônimo produzido por Marcos Pinheiro e Victor Ribeiro da Rádio Cultura de Brasília. No ano seguinte, a banda se apresentaria no Festival Abril Pro Rock, realizado em Recife.
Detrito Federal
O Detrito Federal surgiu em 1983 como uma banda punk. Na formação, Alex Podrão (voz), Mila Menezes (baixo), Bosco (guitarra) e Paulo César Cascão (bateria). Em 1985, participaram da coletânea Rumores com duas músicas: Desempregado e Fim de Semana. No ano seguinte, Mila - que formaria o grupo Volkana - e Bosco saíram. Com Wildson Pontes na guitarra e Paulinho Lixo no baixo, o quarteto foi indicado pelo jornalista Nélson Motta para participar do festival Mixto Quente, promovido pela TV Globo. Foi a primeira aparição de uma banda punk na emissora.
Insatisfeito com os rumos musicais da banda, Podrão pulou fora para formar o BSB-H. Cascão abandonou as baquetas e assumiu os vocais. Depois de novas mudanças, o Detrito - Milton Medeiros (baixo), Mauro Manzolli e Simone Péres, a Syang (guitarras) e Débora (bateria), além de Cascão - resolveu tentar a sorte na Cidade Maravilhosa. Assinou contrato com a Polygram e, em 1987, lançou o LP Vítimas do Milagre, produzido por Charles Gavin, baterista dos Titãs.
O disco de capa amarela, com o desenho de um punk cagando no Congresso Nacional, obteve relativo sucesso. O som já não era aquele punk tosco do início de carreira. Músicas como Se o Tempo Voltasse e O Vírus do Ipiranga marcaram toda uma geração, chegando a tocar em algumas rádios. Mas, de repente, a coisa foi ficando difícil.
Com a saída de Syang - que foi formar o P.U.S -, a banda levou cartão vermelho da gravadora e teve que retornar ao cerrado. Milton ficou no Rio como roadie do Finis Africae. Desde então, vários músicos passaram pelo Detrito, como Tom Capone - hoje um dos maiores produtores nacionais - e Ricardinho (ambos "emprestados" pelo Peter Perfeito), substituto de Débora, que foi morar nos EUA.
Entre 1989 e 1990, o Detrito chegou a contar com o baixista Pedro Hiena (ex-Arte no Escuro) e o baterista Balé (ex-Escola de Escândalo), além do guitarrista Rômulo Jr. Nessa época, ganharam de presente de Renato Russo uma letra, depois batizada como Fábrica 2 - um rock cheio de punch, nunca gravado oficialmente.
Com a volta de Débora e com as saídas de Balé e Pedro Hiena, que foram morar no exterior, Paulo Delegado assumiu o baixo. E em 1995, com a inclusão de Victor Babu como segundo guitarrista, Detrito Federal consolidou a sua última formação, que tocou no Festiva Abril pro Rock, em Recife, em 1997 - com a participação do guitarrista Luís Asp. Tentaram gravar um novo disco, mas só conseguiram incluir uma música - Ninguém Ajuda Ninguém - na coletânea Cult 22, do programa homônimo da Rádio Cultura FM (1997).
No ano seguinte, já em clima de despedida, fizeram dois shows - em festival no Teatro Garagem do Sesc e outro em um extinto bar da Asa Norte (ao lado do Filhos de Menguele). Cascão assumiu a carreira de dj (PC Cascão) a de advogado.
A atual formação do Detrito Federal conta com Alex Podrão (voz), Bosco (baixo), Wilson Pontes (guitarra) e André Galego (bateria). A banda voltou no ano de 2001, e gravou um CD-demo com sete músicas, sendo quatro novas e três regravações de clássicos do grupo: Desempregado, Se o Tempo Voltasse e Fim-de-Semana.

4 comentários:

  1. "Milton ficou no Rio como roadie do Finis Africae."

    Isso não é verdade. Quem te disse? Qual foi a sua fonte?

    Fiquei no Rio estudando produção na escola do Antonio Adolfo. Depois trabalhei no estúdio Artimanha, em Brasilia. Em seguida, fui fazer universidade na California State University.

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  2. Fonte retirada da revista Bizz. e blogs na internet

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  3. Atual formação:
    Bosco (guitarra), Podrâo (Vocal), Galego (Bateria) e BiL (Baixo)

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  4. A banda dos anos 80 era uma grande banda de rock!!!

    O disco Vítimas do Milagre foi um dos melhores dos anos 80!!!

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