segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

LOBOTOMIA


LOBOTOMIA

"Um surfista chegou para mim uma vez e disse: ´As duas únicas bandas que prestam no Brasil são o Lobotomia e o Tokyo´ ", exclama Zezé (baixo). Lobotomia, o LP, começa assim: "Paranóicos, doentes mentais/ Esquizofrênicos, psicopatas/ Não são mais que o lixo humano/ Amontoados nos manicômios/ E para conter os gastos do Estado/ Lobotomia é a forma do cura". Enquanto isso, a "linda garota de Berlim" do Tokyo freqüenta as FMs. "Tudo bem", fala Zezé irônica, "o importante é que comprem o disco."
O grupo começou em outubro de 84, com um show para inaugurar a extinta butique Varukers. E, de lá para cá, já passou por quatro formações. Tiveram até um jazzista, o baixista Bê. Mas Grego e Caio nunca abriram mão da influência punk, aqui no Brasil tradicionalmente expressa pela juventude pobre, de periferia. O Lobotomia, ao contrário, é composto por um pessoal muito bem-nascido. Informação não falta: vídeos, discos, viagens pela Europa e EUA (caso de Zezé). Ela, aliás, é estudante de psicologia e traça o perfil do grupo: "Caio (voz/letras) é paranóico; Grego (bateria) é doente mental; Aderbal (guitarra) é psicopata; e eu, esquizofrênica". Apesar disso todos estudam e, à exceção de Zezé, também trabalham. As definições que ela dá entram, na verdade, na música, onde estão presentes, também, as fissuras hardcore de Caio, o peso e eficiência de Grego, a harmonia de Aderbal e a precisão de Zezé.
No palco, a força e presença que o estilo exige. No LP, até agora bancado exclusivamente pelo grupo, um nível de gravação internacional. Para quem gosta de rock pesado, com conteúdo, Lobotomia é, sem dúvida, uma das poucas opções.

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